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David Jonsson: os 5 papéis que moldaram o ator escolhido para ser o novo Pantera Negra do MCU

28 de jul.
5 min de leitura

Atualizado: 28 de jul.

David Jonsson: os 5 papéis que moldaram o ator escolhido para ser o novo Pantera Negra do MCU

De Custom House, no East End londrino, ao trono de Wakanda: o britânico de 32 anos anunciado na SDCC 2026 como T'Challa II é fruto de uma escalada silenciosa que começou no Almeida Theatre e explodiu em Alien: Romulus, Rye Lane e A Longa Marcha.


David Jonsson não é exatamente um novato. Aos 32 anos, com cinco longas no currículo, ele soma um BAFTA Rising Star, indicações ao BIFA, uma parceria celebradíssima com Cooper Hoffman e, agora, o papel mais simbólico de sua geração: o Príncipe T'Challa II em Pantera Negra 3, com estreia em 15 de dezembro de 2028. O anúncio foi feito por Ryan Coogler no Hall H da San Diego Comic-Con, em 25 de julho de 2026 e fez de Jonsson o primeiro britânico a vestir a máscara do herói wakandano no MCU.


Antes da coroação, ele construiu escolhas densas: estudou na RADA, devolveu a vida ao androide Andy em Alien: Romulus, arrancou aplausos como Pete McVries em A Longa Marcha e emagreceu quase 13 quilos para viver o dependente Taylor em Wasteman. A seguir, os cinco papéis que o moldaram.


1. Andy Carradine — Alien: Romulus (2024)


David Jonsson

Direção: Fede Álvarez · Sci-fi / Terror · Disney+ e HBO Max

O androide que carregou o filme nas costas


Em Alien: Romulus, Jonsson interpreta o sintético Andy, um androide programado para proteger a protagonista Rain (Cailee Spaeny) após a morte de seu pai. O personagem é rebaixado por um switch ilegal e passa a esquecer tudo o que aprendeu, inclusive a própria identidade. Foi com esse arco silencioso, construído quase só com olhares e uma fisicalidade desajeitada, que o ator caiu nas graças de Hollywood.


A cena em que Andy pronuncia a icônica frase "Get away from her, you bitch", antes imortalizada por Sigourney Weaver, entrou no filme em uma única tomada, sem ensaio, e rendeu a Jonsson o BAFTA Rising Star Award em fevereiro de 2025, prêmio decidido pelo público que costuma funcionar como termômetro de futuras grandes estrelas.


2. Dom — Rye Lane: Um Amor Inesperado (2023)


David Jonsson

Direção: Raine Allen-Miller · Comédia romântica · Disney+

O debut cinematográfico que mudou tudo


Rye Lane foi a estreia de Jonsson no cinema. Na pele de Dom, um jovem de south London que passa um dia inteiro com Yas (Vivian Oparah) depois de um término, o ator mostrou um timing cômico raro e uma química que levou a produção ao tapete vermelho de Sundance, onde foi adquirida pela Searchlight em uma das negociações mais comentadas de 2023.


O papel rendeu uma indicação ao BIFA de Melhor Atuação em Dupla, dividida com Oparah, e abriu ao mesmo tempo as portas do circuito independente britânico e do cinema de grande orçamento. Foi também a primeira grande vitrine de sua capacidade de flutuar entre humor e melancolia sem perder a naturalidade.


3. Gus Sackey — Industry (2020–2022)


David Jonsson

Criação: Mickey Down e Konrad Kay · Drama · HBO Max

O protagonista que o mundo notou


Antes do cinema, Jonsson já tinha em Gus Sackey o papel que definiria seu tipo: intelectual, gay, negro, com capital cultural para circular pelos corredores da City de Londres, mas ainda assim estranho ao mundo dos bancos. A série, estreada na BBC Two e distribuída pela HBO, colocou o ator sob os holofotes da crítica.


Para construir o personagem, ele visitou Eton e Oxford como pesquisador. A decisão de deixar Industry após a segunda temporada, justamente quando o show virava fenômeno, virou declaração de princípios: "A vida é curta, a arte é longa", disse à GQ em agosto de 2025.


4. Taylor — Wasteman (2025)


David Jonsson

Direção: Cal McMau · Drama prisional · Prime Video (BR)

O papel mais pessoal da carreira


Taylor é um detento que passou 13 anos preso por um crime que cometeu aos 17, é pai de um adolescente que nunca viu de perto e tem uma vida inteira para reconstruir nas semanas que antecedem a condicional. Jonsson descreveu Taylor como o primeiro personagem com o qual se sentiu de verdade parecido: "um papel de verdade", como definiu ao The Guardian em fevereiro de 2026.


A preparação incluiu acompanhamento da charity Switchback, horas de filmagens caseiras feitas por celulares dentro de prisões britânicas e a perda de quase 13 quilos para chegar ao físico "mawga" (termo em patoá jamaicano para "magro, definhado") exigido pelo roteiro. O trabalho rendeu uma indicação ao BIFA de Melhor Atuação Principal e consolidou uma parceria de masculinidades opostas com Tom Blyth, que lembra a dinâmica de Oz, da HBO.


5. Pete McVries — A Longa Marcha (2025)


David Jonsson

Direção: Francis Lawrence · Adaptação de Stephen King · HBO Max

560 km a pé e uma amizade para a vida


Baseado no primeiro romance de Stephen King, escrito sob o pseudônimo Richard Bachman, A Longa Marcha acompanha 50 adolescentes que precisam caminhar sem parar até que sobre apenas um. Jonsson interpreta Pete McVries, um jovem de origem humilde que, ao lado de Ray Garraty (Cooper Hoffman, filho de Philip Seymour Hoffman), constrói uma das amizades mais comoventes do cinema recente.


As filmagens foram feitas em ordem cronológica em Winnipeg, no Canadá. Ao todo, o elenco caminhou cerca de 560 quilômetros, Jonsson e Hoffman fizeram metade disso juntos. A experiência rendeu o Robert Altman Award no Film Independent Spirit Awards 2026 e o roteiro do próximo filme dos dois: The Chaperones, drama dirigido por India Donaldson, com A24 e Plan B.


5 curiosidades pouco conhecidas sobre David Jonsson


Quase não virou ator. Foi expulso da escola aos 14 anos por brigas, mudou para uma escola em Hammersmith e contou ao The Guardian que o ponto de virada foi a mãe, uma policial que, depois de um plantão exaustivo, perguntou o que ele queria da vida. A resposta foi "atuar".


Quase não entrou em Wasteman. No teste, leu para o personagem que acabou indo para Tom Blyth, não para o próprio Taylor. Pediu à namorada que desenhasse uma tatuagem com caneta no pescoço e chegou a jogar uma cadeira no diretor de elenco, achando que tinha ido bem. Nunca mais recebeu retorno, o roteiro ficou anos parado porque os irmãos Safdie largaram o projeto para filmar Uncut Gems.


Foi o primeiro protagonista negro de uma adaptação de Agatha Christie. Em 2023, estrelou o especial da BBC Murder Is Easy, marco que dividiu crítica e público e que o ator usa para defender um debate sobre diversidade que saia do automático.


Tem a fé como "estrela guia". Cresceu na igreja, ainda a frequenta e explica que é isso que o ajuda a navegar pela escuridão e o "mantém firme" em meio a projetos mais pesados.


Já produz os próprios projetos. Em 2025, fundou com Sophia Gibber a bandeira greyarea, voltada a dar espaço para cineastas emergentes, e desenvolve o roteiro da série Hype com a Clerkenwell Films, sua estreia como roteirista de TV.


Prêmios, próximos projetos e impacto na indústria


O currículo de troféus é curto, mas expressivo. Em 2022, venceu o Black British Theatre Award por "and breathe…", no Almeida. Em 2025, levou o BAFTA Rising Star e foi indicado ao BIFA por Wasteman. Em 2026, além do Robert Altman Award pelo conjunto do elenco de A Longa Marcha, acumula nomeações ao Saturn Award, Astra Film Awards, London Critics' Circle e Austin Film Critics.


A agenda do que vem por aí é tão ambiciosa quanto o currículo. Em Pantera Negra 3, ele viverá o Príncipe T'Challa II (Toussaint), apresentado como criança na cena pós-créditos de Wakanda Forever. O longa será o primeiro do MCU rodado inteiramente em película de grande formato, segundo o próprio Coogler. O elenco confirmado inclui, Letitia Wright, Winston Duke e Lupita Nyong'o.


"Não há espaço suficiente para talentos diversos nesta indústria. Percebo que tenho um papel importante em definir o que é ser negro hoje." — David Jonsson, no discurso do BAFTA Rising Star 2025.


Fora da Marvel, Jonsson filmará Scandalous!, estreia de Colman Domingo na direção, como Sammy Davis Jr. ao lado de Sydney Sweeney (Kim Novak). Está escalado para o longa de estreia de Frank Ocean na direção (sem título) e divide com Cooper Hoffman o cartaz de The Chaperones, road movie da A24 com produção da Plan B.

 
 
 

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