Barbie 2: negociações travam e sequência corre risco de nunca sair do papel

Três anos depois de se tornar o maior sucesso da história da Warner Bros., Barbie corre o risco real de nunca ganhar uma continuação. Segundo reportagem da Variety, as negociações entre o estúdio e o time criativo por trás do primeiro filme, formado pela diretora Greta Gerwig, o co-roteirista Noah Baumbach e os astros Margot Robbie e Ryan Gosling, chegaram a um impasse que já dura três anos e parece cada vez mais distante de uma solução.
O problema é puramente financeiro. De acordo com fontes ouvidas pela publicação, a Warner Bros. já fez mais de seis propostas ao grupo ao longo desse período, e todas foram recusadas. A mais recente, apresentada na primavera americana deste ano, teria sido a maior oferta já feita pelo estúdio a uma equipe de cineasta e elenco, chegando a ser descrita internamente como "dinheiro capaz de mudar de vida". Mesmo assim, não houve acordo.
Onde exatamente está o impasse
Segundo o levantamento da Variety, o time de Gerwig não estaria pedindo participação nos primeiros lucros do filme, o que tornaria as exigências menos agressivas do que se imaginava inicialmente. Ainda assim, uma fonte próxima às negociações afirmou que a equipe está satisfeita com os valores fixos oferecidos, mas insatisfeita com os termos de participação nos lucros a longo prazo. Outra fonte, no entanto, contesta essa versão.
Ryan Gosling, segundo relatos anteriores do New York Times, estaria pedindo 20 milhões de dólares para retomar o papel de Ken. Já Margot Robbie, que teria faturado cerca de 50 milhões de dólares somando salário e participação no primeiro filme, deve superar esse valor de forma considerável com qualquer novo contrato, segundo uma fonte do estúdio ouvida pela Variety.
O nome mais citado como responsável pelo impasse é David Zaslav, CEO da Warner Bros. Discovery. Segundo o New York Times, Zaslav não aprovou as propostas mais recentes por considerá-las generosas demais, mesmo diante do desempenho histórico do primeiro filme nas bilheterias.
O relógio corre contra o estúdio
O detalhe que transforma esse imbróglio em uma corrida contra o tempo é o contrato de direitos que a Warner Bros. mantém com a Mattel, dona da marca Barbie. Segundo a reportagem, os executivos do estúdio, Michael De Luca e Pam Abdy, têm apenas cerca de quatro meses para colocar uma nova produção em desenvolvimento ativo. Caso o prazo se esgote sem acordo, os direitos de fazer uma sequência voltam automaticamente para a fabricante da boneca.
Isso significaria, na prática, que a Mattel poderia seguir em frente com um novo filme sem qualquer envolvimento de Gerwig, Robbie, Gosling ou Baumbach, e sem poder reaproveitar nenhum elemento criado especificamente para o filme de 2023, o que praticamente forçaria um reboot completo da franquia nos cinemas, caso a empresa decida seguir esse caminho.
Um detalhe que pegou Hollywood de surpresa
Uma informação chamou atenção de quem acompanha o caso de perto: segundo reportagem do New York Times, os contratos originais assinados para o primeiro filme não previam nenhuma obrigação contratual de continuidade para os envolvidos. Ou seja, Gerwig, Robbie, Gosling e Baumbach nunca estiveram formalmente amarrados a uma sequência, o que deixa a decisão de participar (ou não) inteiramente nas mãos deles, sem qualquer pressão contratual prévia.
Esse detalhe ajuda a explicar por que executivos de outros estúdios, segundo a Variety, reagiram com surpresa ao saber do impasse: a expectativa geral do mercado era de que um sucesso do tamanho de Barbie, o maior já lançado pela Warner Bros. em toda sua história, já viesse com uma sequência praticamente garantida.
O que dizem os envolvidos
Em comunicado conjunto, De Luca e Abdy afirmaram que o estúdio "tem um acordo de direitos com a Mattel em vigor e fez uma série de grandes ofertas para tentar fechar contratos e viabilizar o próximo filme de Barbie", mas reconheceram que "até o momento, não conseguimos chegar a um acordo".
Já Margot Robbie e Greta Gerwig vinham dando pistas, em entrevistas recentes, de que não tinham pressa em confirmar uma continuação. Em junho, Robbie disse à revista Time que a história "poderia seguir em um milhão de direções diferentes a partir daquele ponto", mas ponderou que cair na armadilha de planejar sequências enquanto ainda se lança o primeiro filme pode ser um erro. Gerwig, por sua vez, declarou à Entertainment Tonight em julho que seu foco no momento era "só torcer" pelo sucesso do que já havia sido feito, sem se comprometer com planos futuros.
O tamanho do que está em jogo
Lançado em 2023 ao lado de Oppenheimer, no fenômeno que ficou conhecido como "Barbenheimer", Barbie arrecadou mais de 1,4 bilhão de dólares ao redor do mundo, tornando-se a produção de maior bilheteria da história da Warner Bros.. O filme também recebeu oito indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme, e venceu na categoria de Melhor Canção Original.
Diante desse histórico, a resistência do estúdio em fechar um acordo chamou atenção justamente por contrariar a lógica usual de Hollywood, que costuma correr para garantir continuações de sucessos tão expressivos assim que possível.
Por enquanto, não há sinal de acordo no horizonte, e o relógio segue correndo até dezembro de 2026, quando a janela de negociação se encerra.



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