Homem-Aranha: Um Novo Dia divide a crítica com o Peter Parker mais maduro (e mais triste) do MCU

Quarto filme solo de Tom Holland e 38º longa do MCU chega aos cinemas com 90% de aprovação no Rotten Tomatoes, elogios unânimes ao elenco e uma recepção polarizada sobre seu tom mais introspectivo.
Quatro anos depois de Sem Volta Para Casa e do feitiço que apagou Peter Parker da memória de todos, o MCU finalmente entrega um filme que tenta tratar o Homem-Aranha como herói de bairro, não como coadjuvante do Homem de Ferro, dos Vingadores ou do multiverso. Homem-Aranha: Um Novo Dia (Spider-Man: Brand New Day) estreou em 27 de julho, chega às salas dos EUA em 31, e divide a crítica entre os que celebram a virada introspectiva e os que acham o filme "árduo" e "meia hora mais longo do que deveria".
Dirigido por Destin Daniel Cretton (de Shang-Chi e da série Wonder Man) e escrito por Chris McKenna e Erik Sommers, o longa é o primeiro do MCU com liberdade para focar o "Homem-Aranha de rua" que Kevin Feige prometeu em 2025. A seguir, o que disseram as principais publicações sobre o filme.
1. O que deu certo: a virada adulta e o elenco
Consenso entre THR, Forbes, Associated Press e TheWrap
"O melhor Homem-Aranha desde Sam Raimi"
Uma das comparações mais repetidas entre os críticos é com a trilogia original de Sam Raimi. David Gonzalez, do The Cinematic Reel, foi direto: "é o mais perto que o Homem-Aranha do MCU chegou de capturar o coração e o espírito do Homem-Aranha do Sam Raimi, e não consigo pensar em elogio maior". Mike Ryan, do The Hard Pass, foi além e chamou Um Novo Dia de "o melhor filme do Homem-Aranha desde Homem-Aranha 2", o longa de 2004 que muitos ainda consideram o ápice do personagem nas telas.
O que justifica o elogio é uma combinação rara: Cretton freia a obsessão pelo multiverso e coloca Peter para combater crime de rua em Nova York, como nos quadrinhos. O crítico do The Hollywood Reporter definiu como "a entrada mais madura e introspectiva da série" e resumiu a decisão criativa em uma frase: "finalmente, alguém teve o bom senso de parar de martelar sobre o maldito multiverso".
2. Tom Holland entrega a melhor performance da carreira
THR, Forbes, Inverse e Consequence
Um Homem-Aranha "nunca melhor"
Praticamente toda a imprensa concorda em um ponto: Tom Holland, hoje com 30 anos, está no auge. O crítico do THR disse que ele "nunca esteve melhor"; William Bibbiani, do TheWrap, chamou o longa de "um dos pontos altos de toda a franquia".
O motivo é a natureza do próprio roteiro: depois de se apagar da vida de MJ, Ned e do mundo, Peter vive sozinho em um sótão em Nova York, focado em proteger uma cidade que não sabe seu nome. Holland usa isso para dar ao personagem traços de ansiedade, luto e solidão adulta que ele jamais tinha podido explorar, algo que se conecta com a própria fase de vida do ator, casado com Zendaya em 2025.
3. Jon Bernthal rouba a cena como Justiceiro
Deadline, Bleeding Cool e Consequence
O anti-Amigão da Vizinhança
Se Holland comanda o filme, Jon Bernthal o rouba. Sua versão do Justiceiro (Frank Castle) chega como vigilante operando em uma zona moral oposta à de Peter, mas com uma dinâmica de "irmão mais velho/irmão mais novo" que o THR definiu como a melhor química inesperada do longa. A Variety chamou a dupla de "um presente para os fãs" e o Deadline cravou: "Bernthal rouba o filme, o contraponto perfeito para o Cabeça de Teia".
4. Sadie Sink estreia no MCU com impacto
TheWrap, Associated Press, Comic Book e Variety
Um mistério guardado a sete chaves
A Sony pediu para nenhuma crítica revelar a identidade da personagem de Sadie Sink (a Max de Stranger Things), e o pedido gerou uma tensão rara nas coletivas: nos cinemas, o simples anúncio do nome da personagem arrancou aplausos. O crítico da Associated Press, Jocelyn Noveck, disse apenas que a atriz "é uma adição muito bem-vinda". Edward Douglas, do The Weekend Warrior, foi mais longe: "ela talvez seja o casting mais inspirado da Marvel desde Holland como Peter".
De concreto, a crítica adianta que a personagem tem ligação emocional com Peter, divide com ele um trauma de perda e abre espaço para futuras aparições no MCU. O papel já é apontado como divisor de águas para a próxima fase.
5. O que deu errado: 2h25min, ritmo irregular e vilão fraco
Variety, IndieWire, Bleeding Cool
A régua de duas horas e meia
As críticas negativas giram em torno de três pontos. O mais repetido é a duração: 145 minutos. Owen Gleiberman, da Variety, chamou o filme de "árduo, episódico demais e meia hora mais longo do que deveria". David Ehrlich, do IndieWire, deu nota C− e descreveu a obra como "uma sequência de ação sem brilho que causa mais problemas do que resolve".
O segundo é o vilão. O antagonista é um ser telepata capaz de possuir corpos em Nova York, conceito elogiado no primeiro ato, mas mal aproveitado depois da revelação. Bibbiani, do TheWrap, resumiu: "o plano do vilão não faz sentido".
O terceiro é o tom. Alguns críticos sentiram que Cretton se esforça demais para parecer "maduro" e "introspectivo", criando uma auto-seriedade que afasta o público. Variety cravou: "quando dá para sentir o quanto um filme está tentando ser tudo isso, tende a prejudicar o objetivo".
Bilheteria, próximas etapas e o impacto no MCU
Antes mesmo da estreia, Um Novo Dia já era um fenômeno financeiro. As pré-vendas na América do Norte somaram US$ 80 milhões e a projeção global para o fim de semana de abertura gira em torno entre US$ 700 milhões e US$ 800 milhões no primeiro fim de semana, o que faria do longa a segunda maior estreia da história do cinema, atrás apenas de Vingadores: Ultimato (US$ 1,222 bilhão em 2019). Nos EUA, a projeção é de US$ 195 a 250 milhões, o que já superaria Toy Story 5 como melhor abertura do ano.
"Finalmente, alguém teve o bom senso de parar de martelar sobre o maldito multiverso." — David Rooney, crítico do The Hollywood Reporter.
Na China, onde Sem Volta Para Casa não estreou, a expectativa é de cerca de US$ 45 milhões, mercado-chave que a Sony finalmente voltou a explorar. O elenco ampliado, com Zendaya e Sadie Sink, ajudou a atrair o público feminino jovem.
Para o MCU, Um Novo Dia funciona como ponte da Fase Seis e prepara o terreno para Vingadores: Doomsday, com Tom Holland garantido. A produtora Amy Pascal declarou que o filme é o primeiro de uma nova trilogia. Holland, por sua vez, mudou o discurso: chegou a dizer que queria "passar o bastão" antes dos 30; agora, disse à imprensa que pretende continuar "enquanto o público quiser".



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